Projeto de pesquisa da Unimontes levanta dados e condições dos brasileiros deportados pelo Governo dos EUA  


O levantamento de dados sobre o tratamento e as condições enfrentadas pelos brasileiros deportados pelo Governo dos Estados Unidos é o objetivo de um projeto de pesquisa da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). O assunto é abordado pelo Observatório das Deportações, projeto de pesquisa, desenvolvimento e inovação da Unimontes, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), por intermédio do Programa Conhecimento Brasil – Atração e Fixação de Talentos.

O Observatório das Deportações é coordenado pelo professor e antropólogo Julio Davies e pelo professor e sociólogo Gustavo Dias, ambos do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em História (PPGH) da Unimontes. O responsável pela inteligência de dados do projeto é Rafael Rocha.

Conforme os coordenadores, criado em 2025, o Observatório “responde ao crescimento significativo da deportação de brasileiros dos Estados Unidos nos últimos anos. Desde outubro de 2019, o Brasil voltou a receber voos fretados pelo governo norte-americano repatriando brasileiros.

O projeto de pesquisa conta com um portal na internet – https://observatoriodeportacoes.com.br/, que tem como proposta ampliar a produção e divulgação de conhecimento sobre o retorno forçado de brasileiros dos EUA, incluindo aspectos relativos às operações policiais de apreensão e encarceramento de migrantes. Além disso, a iniciativa visa a apresentação de dados sobre as condições dos voos fretados para o transporte dos deportados. São abordadas situações como a do pouso forçado em Manaus de voo conduzindo brasileiros deportados que foram algemados e acorrentados, viajando sem ar-condicionado e sem acesso à água. O fato ocorreu em 24 de janeiro de 2025.

O professor e antropólogo Julio Davies destaca que o projeto é comprometido com o respeito aos direitos humanos dos brasileiros deportados. O estudo tem como objetivos fundamentais: documentar e sistematizar experiências individuais de encarceramento ainda desconhecidas; registrar possíveis violações de direitos humanos sofridas por cidadãos brasileiros nos EUA; subsidiar pesquisas acadêmicas e reportagens jornalísticas sobre as deportações.

Além disso, visa orientar a atuação do Governo Federal, organismos internacionais e da sociedade civil no atendimento à população repatriada e na garantia dos direitos humanos. Outro objetivo é promover o acesso democrático às informações sobre deportações de brasileiros.

A pesquisa será conduzida até julho de 2029 e acompanhará em tempo real os desdobramentos das políticas anti-migratórias do governo do presidente americano Donald Trump, com dados quantitativos e qualitativos dos deportados, tendo atualização contínua.

Por onde estão os brasileiros

O portal do Observatório dos Deportados conta com painel intitulado “Por onde estão os brasileiros”, que reúne as informações sobre as prisões e deportações de cidadãos do Brasil no território americano durante o ano de 2025 com base nos dados da ICE (Immigration and Customs Enforcement), a agência federal dos EUA responsável pela imigração e deportação interna, focada em estrangeiros indocumentados.

No portal (dashboard interativo), o usuário pode se informar sobre o perfil sociodemográfico dos brasileiros aprendidos, estado de apreensão, status criminal do caso e método de apreensão, dentre outras informações. “O painel foi criado para facilitar outros pesquisadores a usarem os dados sobre apreensões”, explica Julio Davies.

Conforme as informações disponibilizadas no painel, no ano de 2025, 3.118 brasileiros foram apreendidos nos Estados Unidos para serem deportados. A idade média deles é de 35 anos e a taxa de deportação de brasileiros nos EUA foi de 52,9%.

Ainda de acordo com os dados do Observatório, os estados americanos que mais tiveram apreensões de brasileiros para deportação em 2025 foram:  Massachusetts (1.497), Flórida (484), Nova Jersey (207), Pensilvânia (170), Carolina do Sul (90) e Nova York (89).

Perfil dos coordenadores do Observatório das Deportações da Unimontes:

 

Professor Gustavo Dias (Arquivo Pessoal)

O professor Julio Davies é mestre pelo Instituto Brasil do King’s College London (Reino Unido) e doutor em Antropologia pela Universidade Federal Fluminense (2022), com doutorado-sanduíche na Universidade de Montreal (Canadá). Também realizou pós-doutorado em Sociologia na Universidade de Bristol (Reino Unido), onde atuou entre 2022 e 2024 como pesquisador associado no projeto “Modern Marronage?: the pursuit and practice of freedom in the contemporary world”. Retornou ao Brasil através do Programa Conhecimento Brasil – Atração e Fixação de Talentos, financiado pelo Ministério de Ciência e Tecnologia do Brasil.

O professor Gustavo Dias é doutor em Sociologia pela Goldsmiths – University of London, realizado com bolsa de doutorado pleno da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) de Portugal. É bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq – Nível 2, líder do Odisseia: Núcleo de Pesquisa Abdelmalek Sayad/ CNPq.  Foi editor-chefe do periódico Argumentos e é colunista da plataforma digital Latinoamérica 21. Tem estágio de pós-doutorado no Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Foi Fellow do Summer Program of Social Sciences, do Institute for Advanced Studies – Princeton University (2021-2023), foi Visiting Scholar no Institute for Research into Superdiversity (IRiS), da University of Birmingham, através do programa Brazil Visiting Fellows Scheme (2023).

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