Professor da Unimontes coordena projeto que transforma alunos em cientistas no combate ao Aedes


O professor e biólogo Magno Borges, que atua no Laboratório de Inovação Cidadã em Biodiversidade e Saúde, vinculado ao Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), coordena o projeto “MC Aedes: Ciência cidadã nas escolas como ferramenta de letramento científico”. A iniciativa transforma alunos “em cientistas no combate à dengue e chikungunya” e é implementada na Escola Estadual Doutor Carlos Albuquerque, no bairro Maracanã, área que registrou o maior número de casos de chikungunya em Montes Claros no ano de 2023.

O docente, mestre em Parasitologia e doutor em Ciência Animal, aproveita a ocasião para lembrar que o próximo sábado (29/11) é o Dia D, ponto alto da campanha “Minas Unida contra o Aedes”, desenvolvida pelo Governo do Estado. Os municípios mineiros são convidados a organizar atividades de conscientização, mobilização social e mutirões comunitários de limpeza, com apoio das unidades regionais de Saúde da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG). A data simboliza o engajamento conjunto entre poder público e sociedade na luta contra o mosquito.

Fapemig

Aprovado na Chamada “Pesquisa para Transformação da Educação Básica — Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática — STEAM”, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), o projeto “MC Aedes: Ciência cidadã nas escolas como ferramenta de letramento científico” visa, segundo Magno Borges, integrar a metodologia de ciência cidadã diretamente no currículo escolar para, assim, conceder aos estudantes a oportunidade de protagonizarem ativamente o monitoramento e o combate aos mosquitos Aedes, vetores de arboviroses como dengue e chikungunya.

Atividades

Desenvolvido em uma escola estadual do bairro Maracanã, o projeto realiza atividades como palestras e oficinas de construção de “ovitrampets” (armadilhas de ovos feitas de garrafa PET); fundamentação teórica e mobilização para a coleta de material reciclável, conectando lixo, saúde e mosquitos; mapeamento ambiental; instalação e coleta de ovitrampets nas residências e na escola; captura, contagem e identificação de ovos e mosquitos adultos com auxílio de lupas e microscópios; uso do aplicativo Epicollect5 para registro de dados; e utilização do Teste de Alfabetização Científica Básica (TACB), antes e depois das atividades, para aferir o ganho em letramento científico dos participantes.

Ciência cidadã

A ciência cidadã, que envolve a participação voluntária do público em pesquisas científicas, explica Magno Borges, é reconhecida como ferramenta poderosa para o engajamento e a aprendizagem ativa. Ao abordar um problema real e urgente da comunidade, a proliferação do Aedes, o projeto objetiva aumentar o senso crítico-científico dos estudantes e o engajamento em medidas de saúde pública.

“O Brasil enfrenta um desafio persistente em letramento científico, conforme evidenciado pelo desempenho abaixo da média dos alunos no exame PISA [Programa Internacional de Avaliação de Estudantes] na área de ciências”, pontua o docente ao destacar que o projeto propõe uma solução inovadora para essa lacuna, alinhada com as diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e o enfoque Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS). A proposta educativa quer integrar projetos de ciência cidadã no currículo escolar para fomentar o letramento científico e promover ações de saúde pela educação, utilizando como tema os mosquitos Aedes, vetores de arboviroses.

Impacto na Saúde Pública e Educação

A meta da proposta é gerar resultados significativos em duas frentes:

  1. Saúde Pública: geração de um mapeamento inédito da distribuição espacial dos mosquitos Aedes na região do entorno da escola. Os dados permitirão diferenciar a abundância de A. aegypti e A. albopictus. Essa diferenciação é crucial, especialmente para o monitoramento do A. albopictus, vetor competente da chikungunya, cuja presença em áreas periurbanas e rurais adjacentes ao bairro Maracanã é um fator de risco. Os dados coletados pelos alunos poderão orientar políticas de saúde pública local.
  2. Educação: aumento na compreensão de conteúdos e processos científicos, melhoria nas atitudes em relação à ciência e maior interesse pela área como carreira. O projeto servirá como piloto para a construção de um material didático replicável em outras escolas.

Governo de Minas

Antecipar para prevenir. Essa é a estratégia da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) no enfrentamento às arboviroses, com foco especial na dengue, zika e chikungunya. Desde 2023, o Estado vem intensificando ações preventivas antes do período sazonal, quando os casos tendem a aumentar.

O mês de novembro marca o auge da campanha “Minas Unida contra o Aedes”. Durante o período, os municípios realizam mutirões de limpeza, orientações à população, ações educativas e recolhimento de materiais que acumulam água parada, potenciais criadouros do mosquito.

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