Montes Claros registra aumento no custo de vida. É o que mostra a pesquisa de variação de preços realizada pelo Setor de Índice de Preços ao Consumidor do Departamento de Economia da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), que apurou, em março último, Índice de Preços ao Consumidor do Município de Montes Claros (IPC Moc) equivalente a 0,70%, contra 0,30% em fevereiro. Com esse resultado, o acumulado no ano é de 1,72%.
Os grandes vilões no período foram os grupos Alimentação, principalmente hortifrutigranjeiros, feijão, ovos e carne bovina; e Transporte e Comunicação, no caso combustíveis (óleo diesel, gasolina e etanol), ambos responsáveis por mais da metade da inflação de março. “De modo geral, o cenário indica estabilidade, mas com impactos relevantes sobre o poder de compra das famílias, especialmente as de menor poder aquisitivo”, sintetiza a professora Vânia Vilas-Boas, coordenadora do IPC Moc.
A expectativa para os próximos meses, segundo ela, é de inflação moderada no município, com possível desaceleração dos preços dos alimentos após as pressões sazonais. Os combustíveis, porém, ainda representam um fator de risco e podem manter alguma pressão sobre o índice.
Grupos
Em março de 2026, o Grupo Alimentação, que tem o maior peso (29,4700) na composição do orçamento doméstico, apresentou variação positiva de 1,27% e contribuiu com 0,37% para o resultado final do IPC Moc. Os principais aumentos foram no leite longa vida (6,61%), toddynho (2,99%), sucos em garrafa (2,73%), iogurte (2,62%), achocolatados (2,58%), batata palha (2,10%), geleia de frutas (0,73%), repolho (32,21%), cenoura (29,39%), kiwi (28,16%), tomate (17,03%), cebola seca (16,49%), maracujá (16,22%), manga (15,87%), banana caturra (15,36%), maxixe (15,09%), banana prata (13,18%), vagem (12,26%), ameixa (10,55%), melão (10,08%), pimentão (9,65%), brócolis (9,41%), milho verde/espiga (8,71%), beterraba (8,50%), batata inglesa (7,22%), uva (6,94%), alho (6,36%), couve-flor (5,52%), jiló (4,72%), alface (4,08%), banana-maçã (3,15%), berinjela (2,85%), maçã (2,79%), mandioca (2,71%), cará/inhame (2,69%), feijão (9,12%), ovos (7,87%), carne bovina (2,01%) e limão (2,60%); contra reduções nos preços do açúcar (-3,21%), requeijão cremoso (-2,21%), polvilho (-1,45%), óleo de soja (-1,30%), café (-0,70%), chuchu (-48,70%), quiabo (-17,37%), abacate (-15,89%), mexerica/tangerina (-11,50%), abóbora (-6,94%), coco verde e seco (-4,52%), goiaba (-4,25%) e pera (-4,08%).
O Grupo Habitação, que tem peso de 21,2500, apresentou variação negativa de -0,05% e contribuiu com -0,01% para o resultado final do índice. As principais variações positivas foram no sabão em barra (3,71%), pilha (1,47%), carvão (1,19%), toalha de papel (1,04%), óleo de peroba (0,89%), pia (5,72%), verniz (4,61%), conexões (3,33%), caixa d’água (3,07%), fiação/cabo (2,71%), assento sanitário/vaso (2,14%) e lâmpadas (2,06%); contra variações negativas para amaciante (-5,05%), sabão em pó (-3,01%), vassoura de piaçava (-2,11%), chuveiro (-3,41%), janela (-3,25%), cerâmica/porcelanato (-2,10%), cano PVC (-1,81%), areia (-1,48%) e tanque (-1,33%).
O Grupo Artigos de Residência e Serviços Domésticos, que apresenta peso de 5,2400, teve variação positiva de 0,42% e contribuiu com 0,02% para o resultado final do IPC Moc. As principais altas foram para churrasqueira (8,60%), antena parabólica (5,83%), liquidificador (4,06%), colchão infantil (2,21%), armário de cozinha (1,77%), cama de solteiro (1,76%) e colchão; contra quedas no circulador de ar/ar-condicionado (-3,33%), espremedor de frutas (-2,63%), micro-ondas/panela elétrica/forno elétrico (-1,98%), aparelho celular (-1,36%) e tanquinho (-0,78%).
O Grupo Transportes e Comunicação, cujo peso é de 19,6200, apresentou variação positiva de 1,04% e contribuiu com 0,20% para o resultado final do índice. As principais variações positivas foram para óleo diesel (12,11%), gasolina (2,75%) e etanol (1,20%), contra queda no seguro particular do veículo (-2,49%).
O Grupo Vestuário, com peso de 5,9800, apresentou variação positiva de 0,14% e contribuiu com 0,01% para o resultado final do IPC Moc. As principais variações positivas foram para mosquiteiro (3,66%), toalha de rosto (3,20%), fronha (2,50%) e travesseiro (0,81%); contra variações negativas para toalha de banho (-3,50%), cobertor de casal (-2,47%) e cobertor de solteiro (-2,46%).
O Grupo Educação e Despesas Pessoais, com peso de 8,7000, apresentou variação positiva de 0,74%, contribuindo com 0,06% para o resultado final do índice. As principais elevações foram para caneta (1,85%), caderno (1,68%) e cigarros (1,04%).
IPC Moc
O IPC Moc é o indicador da evolução do custo de vida das famílias montes-clarenses. Calculado desde 1982, visa medir a variação de preços de um conjunto fixo de bens e serviços componentes das despesas habituais de famílias com renda entre um e seis salários mínimos mensais.
O cálculo do IPC Moc é realizado com base nas despesas de consumo obtidas por meio da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), que possibilita conhecer quais são os bens e serviços utilizados ao longo de um ano pelas famílias. Verifica também a representatividade de cada um desses bens e serviços na despesa global das famílias.
Cesta Básica
Os preços dos 13 produtos (carne bovina, leite tipo C, feijão, arroz amarelão, farinha, tomate, batata, pão de sal, café, banana caturra, açúcar, óleo e margarina) que compõem a Cesta Básica registraram variação positiva de 5,07% em março, após elevação de 2,08% em fevereiro. Com este resultado, a cesta acumula alta de 7,42% nos três primeiros meses de 2026.
As informações utilizadas para o cálculo da Cesta Básica de Montes Claros têm como fonte a base de dados da Pesquisa Mensal de Preços ao Consumidor. O levantamento é desenvolvido e coordenado pelo Setor de Índice de Preços ao Consumidor (IPC), vinculado ao Departamento de Economia do Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CCSA) da Unimontes.
Quando se considera o rendimento mensal de R$ 1.621,00, o trabalhador montes-clarense destinou 37,38% de sua renda para a aquisição da Cesta Básica. No período, o custo da Ração Essencial Mínima foi de R$ 605,94, valor superior ao observado em fevereiro, de R$ 576,69.
Após a aquisição da Cesta Básica, restaram ao trabalhador R$ 1.015,06 para as demais despesas essenciais, tais como moradia, saúde e higiene, serviços pessoais, lazer, vestuário e transporte. O tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta básica em março foi de 102 horas e 19 minutos, em oposição a 97 horas e 22 minutos do mês anterior.
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