A coragem de Rainny: história inspira alerta no Dia Nacional de Combate ao Câncer Infantil


O DNCCI destaca a importância da conscientização sobre o câncer infantojuvenil; Conhecer os sinais e sintomas é essencial para um diagnóstico precoce e aumentar as chances de cura

Rainny no início do tratamento em 2019

O Dia Nacional de Combate ao Câncer Infantil (DNCCI), celebrado em 23 de novembro, reforça a importância da conscientização dos sinais e sintomas do câncer em crianças e adolescentes. A data, instituída pela Lei nº 13.096/2015, ganha ainda mais significado quando acompanhada de trajetórias como a de Rainny Luiza Santana, de 15 anos, moradora de Rio Pardo de Minas, no Norte de Minas Gerais.

Um diagnóstico inesperado

A infância de Rainny sempre foi marcada por corridas, brincadeiras e muita energia. Mas, aos 8 anos, as dores persistentes na perna começaram a preocupar a família. Em agosto de 2019, após uma consulta médica, veio um diagnóstico inesperado: o osteossarcoma. Este é um tipo de câncer ósseo caracterizado por dores progressivas, inchaço, nódulos próximos aos ossos e, em alguns casos, fraturas sem causa aparente, sinais que podem ser confundidos com dores de crescimento.

“O tratamento é muito sofrido. Eu olhava para minha filha e falava: ‘Senhor, ela tão linda, tão pequena e sofrendo tanto’. Na primeira quimioterapia ela ficou muito para baixo, as mãos inchadas, tomou várias picadas até colocarem o cateter, que trouxe mais conforto”, relembra sua mãe, Raiane Rosa Santana.

Durante sua luta contra o câncer, Rainny passou por quimioterapias, cirurgias e internações. Mas um dos momentos mais marcantes foi a amputação da sua perna. Em seu leito, ao receber a notícia, a Rainny tinha somente uma pergunta: “Eu vou voltar a correr, Doutor? Se sim, pode amputar minha perna.” Essa frase foi dita por ela (aos 9 anos), após meses em uma cadeira de rodas em função do diagnóstico de câncer ósseo.

“Hoje glorifico a Deus por tudo. Estamos bem e já seguimos apenas com acompanhamento médico”, explica sua mãe, Raiane.

Acolhimento que faz diferença

Desde o diagnóstico, Rainny e sua família contam com o apoio integral da Fundação Sara, instituição referência no acolhimento de crianças e adolescentes em tratamento contra o câncer.
“Quando chegamos à Fundação Sara, achei que seria um ambiente parecido com um hospital, mas não. Era acolhedor, organizado e muito limpo. Os colaboradores nos deram atenção e carinho. Recebemos assistência psicológica, nutricional, pedagógica e social. Esse apoio, junto com nossa fé, nos deu forças para enfrentar tudo”, conta a mãe.

O cenário do câncer infantojuvenil no Brasil

Assim como Rainny, milhares de crianças e adolescentes vivem essa batalha no país. O câncer infantojuvenil é uma das principais causas de morte entre jovens de 0 a 19 anos, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Ainda assim, quando identificado precocemente e tratado em centros especializados, as chances de cura podem chegar a 80%.

O INCA estima que, entre 2023 e 2025, o Brasil registre 7.930 novos casos por ano de câncer entre crianças e adolescentes, uma taxa de risco de 134,8 casos por milhão.

Importância da conscientização

Especialistas reforçam que a falta de informação ainda é um dos principais obstáculos para o diagnóstico precoce.

“O câncer infantojuvenil ainda é uma realidade que muitas famílias desconhecem até serem surpreendidas por um diagnóstico. Nosso compromisso vai além do tratamento e da assistência psicossocial: é orientar, acolher e informar. Quando ampliamos o conhecimento da população e fortalecemos a rede de apoio, criamos caminhos para que essas crianças cheguem mais rápido ao cuidado especializado e essa agilidade faz toda a diferença, destaca a Dra. Juliana Cerqueira, hematologista da Fundação Sara.

Uma luta que transforma

 

Rainny, em acompanhamento em 2024

A história de Rainny é um lembrete do impacto do diagnóstico precoce e do cuidado integral. Hoje, aos 15 anos, ela segue em acompanhamento e inspira outras famílias que enfrentam o mesmo caminho. Em datas como o DNCCI, sua trajetória reforça o papel da sociedade, das instituições e de profissionais de saúde na luta contra o câncer infantojuvenil.

Para mais informações sobre os sinais e sintomas do câncer infantojuvenil, acesse o site: fundacaosara.org.br/cancer

Sobre a Fundação Sara

A Fundação Sara foi instituída em junho de 1998, na cidade de Montes Claros/MG, com o intuito de oferecer amparo a todas as famílias da região com crianças e adolescentes com câncer. O desejo de criar uma instituição filantrópica nasceu no coração de Álvaro e Marlene, pais da pequena Sara, que durante mais de dois anos lutou para vencer a doença, mas infelizmente não resistiu.

Quem acompanhou a história de luta da família se comoveu e se juntou à causa e, assim, a Instituição foi ganhando força. A missão de oferecer assistência social foi ampliada para outros eixos, como o trabalho de diagnóstico precoce, realizado na região; as significativas contribuições aos hospitais onde as crianças e adolescentes se tratam; e a criação de uma sede na capital mineira, em 2010. Em 27 anos de atuação, já são mais de 1.700 famílias amparadas.

Em 2018, 2020, 2022 e 2025 a Fundação Sara foi reconhecida pelo Instituto Doar como uma das 100 Melhores ONGs do Brasil em gestão e transparência. Em 2022, a instituição foi contemplada com o Prêmio Integridade pelo Ministério Público de Minas Gerais – MPMG, comprovando sua atuação com boas práticas de gestão, governança, integridade e conformidade no estado.

Para proporcionar mais chances de cura para crianças e adolescentes, a Fundação Sara está construindo em Montes Claros o Hospital de Câncer Sara Albuquerque, o primeiro do Norte de Minas exclusivo para crianças e adolescentes. Uma parceria com a Santa Casa de Montes Claros. Para saber mais sobre o trabalho da Fundação Sara acesse www.fundacaosara.org.br.

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