O evento, realizado pela manhã no campus-sede, em Montes Claros, e no campus de Janaúba, reuniu 64 dos 120 candidatos com inscrições deferidas. As aulas terão início no segundo semestre de 2026. A divulgação do resultado final ocorrerá até o dia 20 de julho, no site da Coteps.
A presidente da Coteps, professora Jussara Maria de Carvalho Guimarães, destaca tratar-se de “um processo muito bonito, uma ação cidadã que a universidade realiza”. Segundo a docente, a iniciativa pode representar a realização do sonho de pessoas que não tiveram oportunidade anterior de cursar o ensino superior. “E hoje elas estão tendo essa oportunidade”, frisa.
Jussara Guimarães acredita, portanto, que os vestibulandos 60+ são movidos pelo desejo de aprender, socializar e realizar sonhos adiados por limitações financeiras, obrigações familiares ou falta de oportunidade. É o caso, por exemplo, de Olívia Oliveira, de 65 anos. “Eu quero preencher mais a minha mente, porque sei que ela está ativa. Meu objetivo é socializar, interagir, conhecer novas pessoas, estudar e não deixar o meu cérebro ficar parado no tempo”, afirmou.
Olívia disse ter ficado surpresa com o fato de nem mesmo a chuva registrada em Montes Claros, na manhã de domingo, ter sido capaz de impedir o público-alvo de fazer a prova de redação.
Outro candidato que não mediu esforços para estar no campus-sede foi Pedro Dias. Ele revelou a esperança de retomar os estudos interrompidos há quase duas décadas. Contou que “parei há 17 anos, no quinto período. Aí eu voltei para ver se termino meu curso de Direito. Que Deus conceda a nós sabedoria para que consigamos obter êxito nessa caminhada”.
Benefícios
O programa 60+ da Unimontes vai além da simples oferta de vagas, pois gera benefícios concretos para a terceira idade e para a sociedade de modo geral. Isso porque, conforme a presidente da Coteps, produz estímulo cognitivo, já que a preparação para as provas e a rotina de estudos exigem foco, raciocínio e memória, ativando o cérebro e auxiliando na prevenção ou no retardamento de doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer; promove inclusão e combate ao etarismo, uma vez que o ingresso no ensino superior rompe o isolamento social e integra o idoso em um ambiente de troca de experiências entre diferentes gerações; e proporciona realização pessoal, ao oferecer a oportunidade de cursar uma faculdade, sonho muitas vezes deixado de lado na juventude devido a limitações financeiras ou obrigações familiares.
A professora Jussara Guimarães faz questão de destacar o reitor da Unimontes, professor Wagner de Paulo Santiago, que inaugurou novas práticas até então não contempladas pela universidade, mas já previstas em bases legais brasileiras. Para a presidente da Coteps, ele e toda a equipe gestora acreditam na melhoria do nível educacional da população, especialmente da população idosa, que passa a ser vista com olhares menos preconceituosos e discriminatórios.
“Esse novo olhar permite mudanças na concepção sobre igualdade e universalidade de direitos, contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária”, pontua Jussara.

Até porque, ao abrir as portas para os diversos cortes etários, a universidade possibilita a quebra de paradigmas, estereótipos e imagens sociais construídas ao longo da história. A interação entre pessoas de diferentes idades e o respeito às suas peculiaridades promovem, por meio da troca de experiências entre jovens e idosos, uma interdependência fundamental para a construção de legados.
Sob coordenação da Comissão Técnica de Processos Seletivos (Coteps), o Vestibular 60+ tem base na Constituição Federal, no Estatuto da Pessoa Idosa e na Resolução CEPEx/Unimontes nº 383, que regulamenta o preenchimento de vagas remanescentes: 477 vagas para transferência interna, 402 para transferência externa e 30 para obtenção de novo título.
Fotos: Ascom Unimontes
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