Unimontes abre inscrições para submissão de textos sobre “Teologia Womanista e Mulher Negra” na revista Mandrágora  


A Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), por meio da Revista Mandrágora, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião (PPGCR) e ao curso de Licenciatura em Ciências da Religião, lança chamada para submissão de artigos ao dossiê temático “Teologia Womanista e Mulher Negra”.

Os interessados devem enviar os textos até o dia 30 de junho, pelo link: https://www.periodicos.unimontes.br/index.php/revistamandragora/index. A previsão de publicação no periódico científico eletrônico, de acesso aberto, é para o dia 30 de outubro.

Denúncia

A iniciativa busca dar continuidade à denúncia de processos violentos de apagamento da mulher negra e de sua produção intelectual, ao mesmo tempo em que promove a visibilidade das diversas experiências de resistências espirituais negras.

O dossiê pretende reunir contribuições acadêmicas que investiguem as encruzilhadas entre Teologia, Ciências da Religião, História e Ciências Sociais, compreendendo a memória como território de disputa e a ancestralidade como fundamento epistemológico do pensamento womanista contemporâneo.

Eixos temáticos

Serão especialmente bem-vindas contribuições que abordem temas como os fundamentos teóricos, históricos e metodológicos da teologia womanista; os diálogos entre teologia womanista, teologia negra, feminismos negros, teologias feministas e teologias queer; as experiências religiosas e espirituais de mulheres negras; as relações entre raça, gênero, colonialidade e religião; as epistemologias negras e decoloniais na teologia e nas ciências da religião; as leituras bíblicas e hermenêuticas a partir de perspectivas womanistas; as discussões sobre memória, ancestralidade e espiritualidades negras; as práticas pastorais, comunitárias e litúrgicas negras; as relações entre religião, racismo religioso e resistência cultural; e, por fim, as experiências de mulheres negras em contextos de espiritualidade e resistência quilombola.

Diretrizes

Os manuscritos devem ser originais e inéditos, não podendo estar simultaneamente submetidos a outro periódico. Serão aceitos textos em português, espanhol, inglês e francês.

Os trabalhos devem seguir rigorosamente as normas editoriais da revista, disponíveis em: https://www.periodicos.unimontes.br/index.php/revistamandragora, incluindo formatação, extensão, sistema de referências e demais requisitos.

Todos os manuscritos submetidos serão avaliados por meio de processo de avaliação por pares em sistema duplo-cego (double blind peer review).

Teologia Womanista

Em 1851, durante a Convenção pelos Direitos das Mulheres, em Akron, Ohio, a abolicionista e ex-escravizada Sojourner Truth pronunciou um dos discursos mais emblemáticos da história das lutas por justiça social. Em sua intervenção, conhecida pela pergunta provocativa “Não sou eu uma mulher?”, Truth denunciou a exclusão das mulheres negras tanto das agendas feministas quanto das lutas políticas de seu tempo, evidenciando a intersecção entre raça, gênero e opressão.

Esse discurso tornou-se um marco histórico e simbólico para reflexões posteriores sobre as experiências das mulheres negras, além de inspirar campos intelectuais e teológicos que buscam compreender as relações entre raça, gênero, memória, espiritualidade, resistência e justiça social.

 

A Teologia Womanista emerge como uma perspectiva crítica que coloca no centro da reflexão teológica as experiências, as vozes e as espiritualidades das mulheres negras, no contexto do conceito de womanism. Formulada por Alice Walker como uma vertente do feminismo ancorada na experiência das mulheres negras, a Teologia Womanista foi desenvolvida por pensadoras afro-americanas com o objetivo de elaborar uma crítica teológica às estruturas de opressão presentes tanto nas instituições religiosas quanto na produção teológica tradicional.

Previous CIMAMS E JUSTIÇA FEDERAL AVANÇAM PARA DESCENTRALIZAR PERÍCIAS E ACELERAR BENEFÍCIOS
Next HDG celebra atuação da equipe de Cuidados Paliativos Interconsultas

No Comment

Leave a reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *