Virologista Paolo Zanotto diz que “gabinete das sombras” foi só metáfora


O virologista Paolo Zanotto, um dos participantes de reunião realizada em setembro com o presidente Jair Bolsonaro para discutir a covid-19, disse que a menção feita por ele a um “gabinete das sombras” não indica a existência de uma estrutura paralela ao Ministério da Saúde, mas sim tratava-se apenas de uma metáfora.

“Os membros de um gabinete sombra não têm poder executivo. É responsabilidade do gabinete sombra escrutinar as políticas e ações do governo, assim como oferecer políticas alternativas. O governo-sombra constitui a maioria da bancada oficial da oposição.”

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No evento, realizado em 8 de setembro e que teve o vídeo (assista abaixo) recuperado nesta 6ª feira (4.jun.2021), Zanotto diz que o grupo faria o aconselhamento do governo no combate à pandemia e levanta dúvidas em relação às vacinas então em desenvolvimento.

Em nota ao Poder360, Zanotto reclamou de “alvejamento semântico para fins políticos”. Disse que as recomendações do gabinete das sombras” não foram seguidas pelo governo federal e negou que seja contra vacinas.  [Essa alegação] vai na contramão de minha atividade em pesquisa e de trabalhos publicados dos quais participei”.

Zanotto pode ser chamado a prestar depoimento à CPI da Covid no Senado. O vice-presidente do grupo, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), apresentará requerimento pedindo a convocação do virologista e do deputado Osmar Terra (MDB-RS), que também participou da reunião com Bolsonaro.

Uma das linhas de investigação da CPI contra o governo federal mira a existência de suposto gabinete paralelo para definir políticas de combate à pandemia. Na 3ª feira (1º.jun), a médica Nise Yamaguchi falou ao colegiado e negou saber da existência dessa estrutura não oficial. Ela também estava na reunião com Bolsonaro em setembro.

A defesa de Zanotto, feita pelo advogado André Fini Terçarolli, disse ao Poder360 que não pretende contestar uma eventual convocação pela CPI.

Assista a trechos da reunião abaixo (5min05seg):

Leia abaixo a íntegra da nota de Paolo Zanotto:

Quando alvejamento semântico é útil para fins políticos.

O vídeo veiculado novamente hoje mostra trechos editados de uma reunião no Palácio do Planalto de representantes de 10 mil médicos pela vida, veiculada em uma live pública. Fui convidado pelos médicos pela vida enquanto virologista. Usei de uma metáfora ‘shadow cabinet’ no seu sentido correto: “O gabinete ou ministério-sombra (shadow-cabinet) é uma característica do sistema de governo de Westminster. Ele consiste em um grupo sênior de porta-vozes da oposição que, sob a liderança do Líder da Oposição, formam um gabinete alternativo ao do governo, e cujos membros sombreiam ou espelham as posições de cada membro individual do gabinete. Os membros de um gabinete sombra não têm poder executivo. É responsabilidade do gabinete sombra escrutinar as políticas e ações do governo, assim como oferecer políticas alternativas. O governo-sombra constitui a maioria da bancada oficial da Oposição”. Portanto uma tradição em nações da Commonwealth.

O uso da metáfora deveu-se ao fato de que, uma vez que o desenvolvimento de vacinas para o SARS-CoV-1 e MERS tiveram sérios problemas na fase pré-clínica nas duas décadas anteriores ao COVID-19, foi discutido e proposto pelo grupo dos médicos pela vida e apresentado por mim a sugestão da criação de um comitê de vacinologistas e imunologistas renomados e experientes, que funcionasse como revisores anônimos para ajudar o MS e governos na escolha de plataformas vacinais candidatas a serem empregadas no Brasil. O fato de que eles deveriam operar de forma anônima para manter a isenção e evitar possíveis problemas, pressões e vieses na avaliação das diversas plataformas vacinais, dadas as implicações de saúde e financeiras. O que foi tratado na reunião pública foi: 1) autonomia médica sendo violada, 2) acesso, por meio das farmácias populares a fármacos para tratamento na fase 1 de replicação viral e com isto mitigar a progressão para fases 2a, 2b e 3. O outro item, o 3), foi a sugestão da criação do grupo de apoio para a escolha de plataformas vacinais pelos governos, que foi interpretado pelos senadores como evidência de um gabinete paralelo, oculto e com agenda escusa. Nenhuma destas sugestões, no entanto, foram acatadas pelo governo.

Quanto à alegação de eu ser contra vacinas vai na contramão de minha atividade em pesquisa e de trabalhos publicados dos quais participei.

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