Rendimentos dos negócios não são suficientes para empreendedores fazerem frente às despesas da família


74% dos donos de pequenos negócios de Minas Gerais têm a atividade empresarial como principal fonte de renda e 78% ainda registram queda no faturamento

 

Os rendimentos apurados com a atividade empresarial não foram suficientes para a maioria (62%) dos empreendedores de Minas Gerais fazerem frente às suas despesas familiares. A maioria deles (78%) ainda registra queda no faturamento mensal em relação ao período pré-pandemia e, o mais preocupante, é que 7 em cada 10 têm o negócio como principal fonte de renda. Os resultados são da 11ª edição da pesquisa O Impacto da pandemia do coronavírus nos Pequenos Negócios, realizada pelo Sebrae em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), realizada entre os dias 27 de maio e 1º de junho.

 

“Os pequenos negócios ainda não conseguiram recuperar o faturamento anterior à pandemia, mesmo com a reabertura gradual das atividades em todo o estado e o avanço do segmento na adoção de estratégias para se ajustar aos novos comportamentos do consumidor, como as vendas-online”, afirma Afonso Maria Rocha, superintendente do Sebrae Minas.

 

Em relação à 10ª edição da pesquisa, realizada em fevereiro, o percentual de empresários de Minas Gerais que conseguiu aumentar as vendas no período da pandemia caiu de 10% para 7%. “Nem mesmo o Dia das Mães, segunda melhor data de vendas para o varejo, foi suficiente para recuperar o faturamento do segmento, que caiu, em média, 42% em relação a uma semana ‘normal’, segundo os próprios empresários” acrescenta Rocha.

 

Quando comparados ao mesmo período de 2020, os resultados da pesquisa atual mostram uma ligeira melhora. Em maio do ano passado, 85,5% dos empresários amargavam a redução do faturamento, contra apenas 4,2% dos que conseguiram aumentar as vendas em relação aos patamares anteriores à pandemia.

 

Avanço das vendas on-line

Os pequenos negócios de Minas Gerais seguem apostando nas vendas on-line para se adequar às mudanças do comportamento dos consumidores.  Sete em cada 10 empreendedores já usam as redes sociais, aplicativos ou a internet para vender. O percentual é superior ao registrado no país (67%) e em estados como São Paulo e Rio de Janeiro (65%).

 

O percentual de pequenos negócios que realiza vendas on-line saltou de 59%, em maio do ano passado, para 70% em maio deste ano. Atualmente, as vendas pelas plataformas digitais representam entre 25% e 50% do faturamento para 28% dos empresários. Para 42% dos entrevistados, as vendas on-line somam até 25% do faturamento mensal dos negócios.

 

Inadimplência

O número de empreendedores em Minas Gerais com dívidas em atraso subiu quatro pontos percentuais entre fevereiro e maio, saltando de 31% para 35%, praticamente o mesmo percentual registrado em maio do ano passado. Já o número de empresários que afirma estar com as dívidas de empréstimos em dia aumentou dois pontos percentuais em maio (33%) em relação a fevereiro (31%) deste ano, e quatro pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2020 (29,2%).

 

É bom lembrar que a demanda de crédito do segmento nos últimos 12 meses cresceu significativamente. Em maio de 2020, 35,5% dos empresários buscaram empréstimos. Em maio deste ano, esse percentual saltou para 45%. O acesso ao crédito também aumentou nesse período, saltando de 21% para 53% o percentual dos que conseguiram crédito. Já o percentual de empresários que tiveram seus pedidos de empréstimo recusados ou ainda aguardam resposta da instituição financeira reduziu de 79% para 48% no último ano.

 

“Esses indicadores confirmam que as medidas para facilitar o acesso dos pequenos negócios ao crédito têm surtido bons efeitos, mas é preciso ampliar o atendimento ao setor. E isso significa não só aumentar a oferta de crédito com condições diferenciadas, mas também garantir ao empreendedor o suporte gerencial necessário para que o empréstimo seja, de fato, uma solução para suas necessidades, e não um novo problema”, afirma o superintendente do Sebrae Minas.

 

Sobre a pesquisa

A pesquisa quantitativa entrevistou 7.820 microempreendedores individuais (MEI) e donos de pequenos negócios entre os dias 27 de maio e 1º de junho, em todos os estados e no Distrito Federal, por meio de formulário online. Em Minas Gerais, foram entrevistados 627 empreendedores. O erro amostral é de +/- 1% para os resultados nacionais. O intervalo de confiança é de 95%.

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