Reformas dificilmente vão avançar em 2021, diz vice-presidente do PSL


O vice-presidente do PSL, dirigente da sigla em São Paulo e deputado federal Júnior Bozzella (PSL-SP) afirma que as reformas administrativa e tributária dificilmente serão aprovadas na Câmara e no Senado em 2021. Segundo o deputado, o governo federal perdeu a oportunidade de avançar em 2019, quando ainda vivia “uma lua de mel” com a população.

Em entrevista ao Poder360 na 4ª feira (2.jun.2021) por videoconferência, Júnior Bozzella disse não ver o governo de Jair Bolsonaro preocupado com as reformas que o país precisa.

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“Eu vejo o governo muito preocupado com o seu processo de poder, de reeleição. O presidente da República passa dia sim, dia sim, tratando do seu partido. Qual partido ele vai precisar ingressar para chamar de seu e tratar do seu processo de reeleição”, afirmou o deputado.

Além disso, Bozzella diz que o governo é “desorganizado” e não tem uma boa articulação política.

“No meio dessa confusão, dessa maneira como o governo central se apresenta para fazer articulação política no nosso país, não vejo com otimismo as duas reformas avançarem no parlamento brasileiro nos próximos meses. Acho difícil avançar neste governo”, disse o vice-presidente do PSL.

O presidente da sigla em São Paulo cita o exemplo da reforma da Previdência, que levou meses para ser aprovada no Congresso. Bozzella afirma que enquanto o Congresso debatia o tema, a preocupação do presidente Jair Bolsonaro era fazer com que o seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), fosse embaixador nos Estados Unidos. Em junho de 2019, Eduardo foi um nome cogitado para assumir a embaixada brasileira em Washington. Em outubro, depois de meses de noticiário negativo, o próprio deputado anunciou em outubro daquele ano que não pretendia ocupar a função.

“O presidente mais se preocupou em cuidar da ida do Eduardo Bolsonaro para a embaixada dos EUA do que em realmente tratar do que era importante para todos nós brasileiros”, disse Bozzella.

Defensor de ambas as reformas, o deputado lamenta o cenário atual. “Nós trabalhamos em 2018, elegemos o presidente, imaginávamos que poderia ser tudo diferente de tudo isso que nós estamos assistindo agora no momento”, afirmou, referindo-se ao fato de Bolsonaro ter sido eleito como candidato do PSL.

“Gostaria que tanto a administrativa quanto a tributária e outras tantas reformas ou privatizações pudessem ter sido tocadas adiante neste governo que a gente apoiou em 2018”, disse o deputado.

Assista à íntegra da entrevista (30min29s):

MANIFESTAÇÕES DO FIM DE SEMANA

Bozzella também comentou sobre as manifestações do último sábado (29.mai), convocadas por movimentos sociais e partidos de esquerda.

O dirigente do PSL em São Paulo disse que os protestos foram uma sinalização para o governo federal de que “o desespero acabou vencendo o medo”.

“O desespero que as pessoas têm em relação à maneira com que o presidente Bolsonaro vem administrando o Brasil, acabou sendo mais forte e unindo essas pessoas […]. Foi um recado para o governo Bolsonaro com relação à preocupação, ao desespero que as pessoas têm com esse governo”, disse o deputado.

Questionado sobre a CPI da Covid, no Senado, Bozzella disse que a decisão do STF de determinar a instalação da CPI foi acertada e que os senadores têm feito um bom trabalho.

“A CPI é oportuna, necessária e não tenho dúvida alguma que em um 2º momento irá fazer justiça com relação a todos aqueles que foram responsáveis por ceifar a vida de quase meio milhão de brasileiros e brasileiras”, disse.

ELEIÇÕES 2022 EM SP

Ao ser questionado sobre quem deve concorrer ao governo do Estado de São Paulo em 2022, o deputado fala em diálogo. Disse que o candidato do PSL era o senador Major Olímpio (PSL-SP), que morreu de covid-19 em março deste ano.

O partido queria que a deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP) substituísse Olímpio. Mas, segundo ele, Paschoal declinou do convite e argumentou que quer concorrer a uma vaga no Senado.

Diante do cenário, o deputado afirma que o partido tem procurado diálogo com nomes não filiados ao partido. O presidente do PSL de São Paulo citou que o partido dialoga com o deputado estadual Arthur do Val (DEM-SP), com o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) e o vice-governador de São Paulo, Rodrigo Garcia (PSDB-SP).

Para o deputado, seria “enobrecedor” ter Alckmin no partido. Bozzella afirma, no entanto, que o ex-governador precisa primeiro resolver suas questões internas no PSDB, para depois debater sua possível filiação na sigla. Uma das condições de Alckmin seria o PSL se distanciar dos “extremos” e “radicais”.

ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS

Ao falar sobre as eleições presidenciais do ano que vem, o deputado diz “saber onde não quer estar”. Bozzella defende que o melhor caminho seja não apoiar extremos. O deputado diz que trabalha para formar uma “3ª via”.

“Um partido como o nosso, que tem valores, que não tem preço, tem tudo para no amanhã arregimentar uma candidatura de centro moderado, que defenda a democracia. Nós temos, além do fundo eleitoral, do tempo de televisão, outras coisas como a história do partido, o currículo, ao contrário de outras legendas”, diz o deputado.

Sobre um nome, Júnior Bozzella diz que se espelha na figura do presidente do PSL, Luciano Bivar, que é um “liberal, democrata e homem experiente”. O deputado diz que as eleições de 2020 trouxeram como resposta que a população quer “experiência” do seu candidato.

Bozzella defende um nome que tenha o perfil de Bivar, com experiência política, e cita nomes como o do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM) e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), Entretanto, o deputado fala que o “debate ainda precisará ser aprofundado” e “discutido”, a fim das lideranças partidárias chegarem a uma convergência.

RACHA NO PSL 

O deputado reconhece que desde a saída do presidente Jair Bolsonaro em outubro de 2019 o partido segue com um racha interno entre apoiadores e opositores do presidente.

“Existe sim uma influência bolsonarista no partido. Bivar [presidente da sigla] foi injustiçado naquela briga, onde o Bolsonaro queria de assalto o comando do PSL. Não se contentou apenas em se eleger presidente da república, ele queria ser o dominador”, afirmou Bozzella.

O dirigente do PSL em São Paulo defende a saída de parlamentares bolsonaristas e radicais do partido. Indagado sobre deixar o partido após o mandato de presidente da sigla, Bozzella diz que confia no partido e no presidente do PSL,  Luciano Bivar (PSL-PE), mas que não se sente à vontade com os bolsonaristas e que trabalha pela saída deles do partido.

“Vou ficar no partido enquanto eu resistir e tiver forças para lutar contra essas pessoas. Gosto do PSL, não pretendo sair do partido, porém teremos que achar um caminho e convergir de forma democrática, liberal”, afirmou.

VOTO IMPRESSO

Júnior Bozzella é um defensor do atual sistema eleitoral. Afirma que parece “uma cortina de fumaça” o presidente falar sobre o voto impresso e diz que tem preocupações com as intenções do governo no assunto.

“A minha preocupação é justamente não prejudicar a transição entre os poderes, não judicializar a eleição e entender onde o governo Bolsonaro quer chegar com essa discussão. Se ele não quer fazer igual o Trump fez nos EUA, que é colocar dúvida sobre um processo legítimo e democrático”, disse.

O deputado fala que pode até se discutir o tema, mas não sem um amplo debate sobre o assunto. Afirmou também que isso não deveria ser uma pauta prioritária em meio a pandemia.

“Esse debate pode até ser útil, mas não pode ser feito a toque de caixa, durante uma pandemia onde as nossas pautas deveriam ser outras. Como eu disse agora, a reforma tributária, a discussão de uma reforma administrativa, a discussão de um auxílio emergencial mais robusto”, afirmou Bozzella.

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