Rede Solidariedade atua para minimizar os impactos socioeconômicos decorrentes da pandemia através do apoio estratégico para comunidades brasileiras


Distribuição da compra coletiva de álcool em gel, sabão e sabonete na Aldeia Halataikwa da comunidade indígena Enawene (MT), arquivo DGM Brasil, 2020.

Diante do quadro da desigualdade social crescente durante a pandemia da Covid-19, o DGM Brasil criou a Rede Solidariedade como alternativa de apoio às comunidades de seus subprojetos em diferentes regiões brasileiras.

No decorrer deste ano, o cenário mundial se viu diante da urgência em aderir ao isolamento social e a outras ações preventivas para conter a contaminação coletiva da Covid- 19. Os impactos socioeconômicos gerados no decorrer dessa nova dinâmica foram sentidos em diversas regiões brasileiras, sobretudo, nas comunidades tradicionais. A partir desse contexto, desde o início da pandemia o CAA-NM/DGM Brasil se dedicou a buscar soluções para apoiar as comunidades contempladas pelos seus 64 subprojetos, em áreas indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais, nos 10 estados brasileiros e em 85 municípios. Para minimizar os problemas sociais dessa conjuntura, a Rede Solidariedade foi criada como resposta pelo DGM Brasil.

Entrega de recursos para a Comunidade Quilombola do Cedro, em Mineiros, Goiás, 2020.

A comunidade quilombola Lagoa Grande, localizada em Jenipapo de Minas, responsável pela execução do projeto “Cerrado: fonte de vida das nascentes do território quilombola Lagoa Grande” adquiriu através de compra coletiva 40 cestas básicas no valor de trezentos reais (R$ 300,00). “A cesta nos ajudou muito, ainda mais nessa pandemia que não podemos sair para comprar as coisas e o preço dos produtos é muito alto”, afirmou a quilombola Elisângela. Ela ressaltou a dificuldade do momento por ter dois filhos, e, assim como outras mulheres da comunidade e do Vale do Jequitinhonha, ter que enfrentar essa circunstância sozinha. Até o momento, 2034 famílias foram beneficiadas, sendo 36 organizações e investidos mais de R$  479.298 reais para o desenvolvimento das ações da Rede Solidariedade no território brasileiro.

Peixes comprados na Aldeia Nova (MA) através do recurso da Rede Solidariedade, arquivo DGM Brasil, 2020.

De acordo com Ricardo Gavião, tesoureiro da Associação Indígena da Aldeia Nova (MA), localizada próxima a Amarante do Maranhão, a ação é de extrema importância para a comunidade nesse período de pandemia. Em sua aldeia é realizado o subprojeto “Resgate do Amjoquin do Mecyre e Me entowaje”, que busca valorizar e preservar a cultura da etnia. “Nós não temos mais peixes em nosso território, por isso que a oportunidade de fazer essa compra coletiva de peixes é importante”, afirmou Ricardo. A ação pode oferecer à comunidade o apoio emergencial e a retomada do consumo de peixes, uma tradição culinária ancestral, através da compra de 1292 kg de peixes e outros alimentos para 107 famílias da aldeia. 

“A Rede Solidariedade foi muito importante para nós, povos tradicionais, porque a ajuda chegou na base”, afirmou a quilombola Lucely Moraes Pio, coordenadora do comitê gestor do DGM Brasil. Segundo ela, essa ação possibilitou fortalecer todas as famílias ligadas aos subprojetos e as redes, comprar os equipamentos de proteção individual, ajudar na alimentação de algumas comunidades, o que revela mais uma vez o legado e importância do projeto DGM Brasil para os povos do cerrado.

Sobre o DGM – Brasil 

O DGM- Brasil integra o Programa DGM Global, fundo de apoio aos povos indígenas, comunidades quilombolas e comunidades tradicionais do cerrado brasileiro. Desde a sua criação, o DGM/Brasil propõe, no decorrer de cinco anos, apoiar projetos que evitem o desmatamento e degradação do cerrado, provendo a proteção e conservação dos recursos naturais. No Brasil, desde 2016 o Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas é o órgão executor do projeto DGM/FIP/Brasil, através do apoio do Banco Mundial.

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