Pequenos empreendedores do Norte de Minas adequam negócios para fabricar equipamento de proteção contra a Covid-19

 

Com a crise causada pela pandemia do novo coronavírus, muitas empresas e, principalmente, os pequenos negócios foram muito afetados. Diante desse cenário, os empreendedores buscam alternativas para superarem a crise e manterem seus negócios. Duas pequenas empresas de Montes Claros dos setores de lingerie e artesanato mudaram o foco e passaram a produzir máscaras, muito procuradas para a prevenção contra a Covid-19.

 

Segundo o Sebrae, a criatividade e inovação são fundamentais para a sobrevivência dos empreendedores após os impactos da pandemia da doença respiratória. Segundo pesquisa da instituição, diante da crise do coronavírus 89% dos pequenos negócios registraram queda no faturamento desde o início do isolamento social e 31% das empresas precisaram mudar sua forma de trabalhar para continuarem no mercado.

 

Acostumada a fabricar lingeries e moda praia e vender por meio de uma página na internet, Renata Ribeiro, da empresa Surpreenda Lingerie, diminuiu a fabricação das peças íntimas e focou atualmente na produção de máscaras, peça essencial na prevenção do coronavírus.

 

“Comecei a confeccionar as máscaras meio que por acaso para atender a uma amiga. Postei na página do Instagram e logo surgiu uma demanda grande de interessados. Percebi que poderia aproveitar este momento, embora meu foco seja lingerie. No começo, tive dificuldades porque o tecido que uso para a lingerie é diferente do usado na máscara. Depois, consegui com o mesmo fornecedor o material adequado. Desde então, já fabriquei e vendi cerca de 300 máscaras”, relata.

 

Renata destaca que segue a orientações de um profissional de saúde para produzir as peças. “Assisti a um vídeo de um infectologista que passa as dicas de como deve ser feita e daí produzo a máscara cirúrgica e a anatômica, com duas ou três camadas de tecido. Não mudei a área do meu negócio, mas fiz uma adaptação de acordo com a oportunidade que surgiu”, explica a empreendedora, que há dois anos participa das ações do Programa Sebrae Delas.

 

Enxergar a oportunidade

 

Nem só da produção e vendas de panos de pratos, forros, crochês e bordados vive Juraci Lourdes Silveira, da marca “Mãos de JuJu”. Habituada a vender seus produtos em feiras de artesanato da cidade, Dona Juju, como é chamada, precisou pensar rápido e buscar novas possibilidades após a proibição da realização das feiras. Diante da propagação da pandemia, percebeu que as pessoas iriam precisar usar máscaras e foi aí que com o apoio da filha decidiu mudar o foco e produzir as peças de proteção do rosto.

 

“Quando percebemos que seria necessário o uso das máscaras decidimos dar um tempo nas peças tradicionais e investir na produção delas. Divulgamos na internet e rapidamente começaram a surgir vários pedidos. Entregamos no varejo e também maiores quantidades para supermercados, farmácias e padarias. Até para cidades vizinhas já entregamos”, ressalta.

 

Aos 74 anos, Dona Juju é consciente que faz parte do grupo de risco e deixa um recado. “Precisamos evitar a disseminação do vírus. Então vamos todos usar máscaras. Fabricamos com dupla face e com tecido que pode ser passada no ferro quente que não deforma ”, diz a artesã.

 

Aprendizado

 

Para o gerente da Regional Norte do Sebrae Minas, Claudio Luiz Oliveira, as empreendedoras estão agindo de forma correta ao adaptar seu negócio ao momento. “O empresário, seja ele de qualquer porte, que não se mexer e ficar esperando o que vai acontecer, irá fechar as portas. Neste momento, é preciso buscar orientação, conhecimento e, principalmente, exercitar a criatividade para virar o jogo e fazer deste problema uma oportunidade para permanecer no mercado”, enfatiza.