Egito discute com Israel cessar-fogo permanente em Gaza


O ministro das Relações Exteriores do Egito, Sameh Shoukry, e seu homólogo israelense, Gabi Ashkenazi, se reuniram nesse domingo (30.mai.2021). Entre os assuntos discutidos estava a necessidade de uma trégua permanente entre Israel e o Hamas, grupo palestino que controla a Faixa de Gaza.

Depois de 11 dias de conflito intenso, Israel e Palestina aprovaram um cessar-fogo “mútuo e simultâneo” que se iniciou em 21 de maio. O Egito ajudou a intermediar a trégua e está trabalhando com os Estados Unidos e parceiros regionais para manter o cessar-fogo.

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Em comunicado emitido nesse domingo (30.mai), o Ministério das Relações Exteriores egípcio declarou que Shoukry e Ashkenazi falaram sobre ser preciso “levar em consideração a sensibilidade especial associada a Jerusalém Oriental, a Mesquita de Al-Aqsa e todos os locais sagrados islâmicos e cristãos”.

A mesquita de Al-Aqsa, localizada na Cidade Velha de Jerusalém, é um dos locais mais sagrados para o islamismo e para o judaísmo. Foi palco de conflitos entre a polícia israelense e palestinos em 10 de maio. Mais de 300 pessoas ficaram feridas.

Shoukry também expressou a importância de se trabalhar na tomada de novas medidas – durante o próximo período – para reforçar a calma e fornecer as condições necessárias para criar uma atmosfera propícia para reviver o caminho político desejado e para lançar urgentemente negociações sérias e construtivas entre os dois lados”, lê-se no comunicado.

O ministro reiterou a posição firme do Egito, que estipula que a solução de dois Estados é a única maneira de alcançar uma paz justa e duradoura, bem como a segurança e estabilidade regionais desejadas, afirmando o direito dos irmãos palestinos ao autocontrole por meio do estabelecimento de seu Estado independente com Jerusalém Oriental como sua capital.

Como parte dos esforços para prorrogar a trégua, o chefe da inteligência egípcia, Abbas Kamel, se encontrou com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

Também se reuniu com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas. Kamel entregou uma mensagem de Abdel Fattah el-Sisi, presidente do Egito, afirmando o apoio egípcio aos palestinos.

Segundo a Associated Press, a conversa com autoridades palestinas foi para estabelecer um conjunto de medidas que permitiriam a entrada de materiais, eletricidade e combustível no território. Ainda foi discutida a possibilidade de expandir o espaço marítimo permitido para os pescadores de Gaza.

Logo depois do anúncio do cessar-fogo, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou que dará ajuda humanitária e de reconstrução para a região de Gaza. O secretário de Estado dos EUA, Anthony Blinken, esteve em Israel e na Palestina para conversar com as autoridades locais.

Segundo estimativas da ONU (Organização das Nações Unidas), cerca de 240 pessoas morreram durante o conflito, a maioria palestinos. Dentre esses, estão 65 crianças. A escalada de violência na região teve início no dia 6 de maio. quando as tensões subiram no bairro de Sheikh Jarrah, em Jerusalém Oriental, por um possível despejo de famílias palestinas.

A ONU também estima que 52.000 palestinos foram deslocados após os ataques aéreos destruirem ou danificarem cerca de 450 edifícios na Faixa de Gaza. Entre esses prédios, estavam 6 hospitais e 9 centros de saúde primários, bem como uma usina de dessalinização, afetando o acesso à água potável para cerca de 250 mil pessoas.

Este foi o embate mais intenso dos últimos 7 anos entre Israel e a Palestina, desde que estiveram em guerra em 2014, e o episódio mais recente de um conflito que já dura mais de meio século.

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