Arthur Weintraub nega gabinete paralelo mas admite conselhos a Bolsonaro


O ex-assessor da Presidência da República Arthur Weintraub negou a existência de um gabinete paralelo para assessorar o presidente Jair Bolsonaro na condução da pandemia da covid-19. Em vídeo divulgado nesse sábado (5.mai.2021), ele afirmou que apenas dava conselhos ao chefe do Executivo.

A hipótese de um gabinete paralelo foi levantada durante a CPI da Covid. Os senadores investigam a criação de um grupo com o objetivo de municiar o presidente com informações sobre um suposto tratamento precoce da covid-19 com o uso de medicamentos como a cloroquina, que não tem eficácia comprovada contra a doença.

“Começaram a colocar meu nome como chefe de um gabinete paralelo que nunca existiu”, disse Weintraub. No vídeo, ele aparece ao lado do irmão Abraham, ex-ministro da Educação.

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“Como pesquisador, eu falei com o presidente, comecei a ler o que existia naquele momento. Era março de 2020, não havia vacinas, não havia nada. Existia o remédio da malária [cloroquina], que estava começando a ser aventado como uma possibilidade, mas dentro desse cenário de guerra, era uma possibilidade”, falou.

“E o presidente disse assim: ‘Você que tem esse histórico. Passa a estudar e você vai me trazer o que você for encontrando e você vai vendo os contatos’.”

Weintraub declarou que servia como “ponte” entre Bolsonaro e “cientistas de universidades renomadas, virologistas, médicos que atuam em áreas de ponta”.

Segundo ele, nunca houve conversas sobre vacinas.

“Quando eu estava lá, a discussão que havia, que eu estava envolvido cientificamente era sobre o remédio da malária e a evolução das cepas, e a evolução da doença. Eu nunca cheguei a ter nenhuma atuação na parte de vacinas, até porque não existiam. Última vez que eu atuei nisso foi agosto de 2020”, afirmou.

Eis a íntegra (22min50s):

LIVES

Arthur Weintraub falou sobre o assunto em duas lives no Youtube com o anestesista Luciano Dias Azevedo, defensor do “tratamento precoce”.

Em julho de 2020, Weintraub agradeceu ao médico por ter juntado “um grupo gigante”. “As pessoas não sabem, mas você deve ter umas 300 pessoas na tua rede de contatos, networking, só da hidroxicloroquina”, afirmou.

Em fevereiro de 2021, o anestesista disse: “O Arthur começou a buscar junto com o Abraham para achar soluções para o país e para os hospitais e levava os artigos para o presidente ler. O presidente foi entendendo a doença, foi entendendo as possíveis soluções, o tratamento era uma das soluções”.

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