Museu da Unimontes abre duas exposições em dezembro


O Museu Regional do Norte de Minas (MRNM), vinculado à Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), divulga duas exposições – “Sentinelas: Carrancas Pinceladas” e “10×10 – Discos, Histórias e Olhares” – para o mês de dezembro. As mostras poderão ser visitadas, das 8h às 17h30min, na rua Coronel Celestino, 75, Corredor Cultural “Padre Dudu”, centro histórico da cidade. O acesso é de graça.

 

Exposição 01 – Sentinelas

O artista e arquiteto Kdu dos Anjos abre a exposição “Sentinelas: Carrancas Pinceladas” no dia 1º de dezembro. A visitação pública será entre os dias 2 e 22 de dezembro. Com raízes fincadas no Aglomerado da Serra, em Belo Horizonte, e memórias que atravessam o Vale do São Francisco, Kdu revisita as carrancas, figuras míticas que, há séculos, protegem embarcações e caminhos, para recriá-las em tinta, textura e gesto contemporâneo.

Sua produção emerge como ponte espiritual entre o Serrão e o Velho Chico, entre a vida urbana e as águas que moldaram o imaginário ribeirinho do Norte de Minas, onde seu pai, natural de Manga, nasceu às margens do rio. No núcleo conceitual da mostra, o artista evoca Exu como guardião de encruzilhadas, orixá que tece os fios do destino e devolve ao mundo suas cores reinventadas. Esse trânsito entre mundos ecoa nas obras: carrancas que não temem o feio, porque a beleza, para Kdu, é moral, simbólica, feita de fé, coragem e continuidade. As telas e intervenções apresentam expressões duras que não traduzem raiva, mas força. Máscaras de proteção que revelam a energia que vigia o invisível.

Cada obra é, ao mesmo tempo, memória familiar e gesto político: um resgate da cultura ribeirinha de Manga e um diálogo com a potência criativa da favela, onde o concreto respira poesia. Nas telas, tijolos e pinceladas, essas figuras ancestrais se reconfiguram como portais que atravessam fronteiras entre o visível e o invisível, o sagrado e o cotidiano, o rio e a favela.

Kdu dos Anjos é artista visual, arquiteto, jornalista e fundador do Centro Cultural Lá da Favelinha, referência internacional em arte, educação e inovação social. Natural do Aglomerado da Serra (Belo Horizonte). Kdu transita entre pintura, design, arquitetura e performance, a partir de narrativas que celebram identidade periférica, espiritualidade e ancestralidade. Sua obra ganhou destaque mundial após seu projeto arquitetônico “Barraco do Kdu” vencer o título de Casa do Ano Mundial 2023 pela ArchDaily.

Exposição 02 10X10

A exposição “10×10 – Discos, Histórias e Olhares”, que será aberta no dia 6 de dezembro, às 19h, com visitação pública entre os dias 8 e 22, apresenta imersão criativa e crítica nos dez primeiros álbuns da lista “100 Maiores Discos da Música Brasileira”, publicada pela revista Rolling Stone Brasil. Mais do que homenagem a obras fundamentais da discografia brasileira, a mostra propõe um exercício de leitura contemporânea e convida o público a redescobrir esses álbuns por meio de múltiplas perspectivas. Para tanto, dez convidados — professores, pesquisadores, artistas, jornalistas, escritores, filósofos, antropólogos e ensaístas — foram instados a produzir textos inéditos, cada um dedicado a um dos discos. Esse conjunto de vozes diversas – Carol Boaventura; Carol Borges; Cyntia Pinheiro; Danilo Barcelos; Georgino Neto; Ildenilson Meireles; Joba Costa; Jukita Queiroz; Karla Celene e Rogério Othon – cria mosaico que amplia o entendimento das obras e revela novas camadas de contexto, sentimento, impacto cultural e relevância histórica.

A curadoria dos professores Rogério Othon e Georgino Neto articula esses textos a materiais visuais e sonoros, organizados em dez estações independentes e dialogantes. A mostra reforça a vitalidade de álbuns como “Tropicália ou Panis et Circensis”, “Clube da Esquina”, “Acabou Chorare” e “Construção e Transa”, entre outros marcos que ajudaram a definir a música popular brasileira. A concepção gráfica e visual é de Chorró Morais.

 

A exposição destina-se a estudiosos, ouvintes apaixonados, novos curiosos e qualquer pessoa interessada em compreender por que determinados discos se tornam espelhos — e às vezes faróis — da experiência brasileira.

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