No dia 09 de agosto, a Santa Casa de Montes Claros, em parceria com as Clínicas Radialis e Oncocenter, realiza o I Simpósio Norte-Mineiro de Câncer de Pulmão. De acordo com a médica radioncologista Lucianne Costa Maia, o objetivo da iniciativa é “gerar uma compreensão maior acerca do grande problema de saúde que é o câncer de pulmão e atualizar a equipe multidisciplinar. Para isso, convidamos profissionais especialistas no manejo do câncer de pulmão desde o diagnóstico até o tratamento, incluindo a fase em que o paciente se encontra em tratamento paliativo”, ressalta.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer – INCA, o câncer de pulmão é o segundo mais comum em homens e mulheres no Brasil (sem contar o câncer de pele não melanoma). E o primeiro em todo o mundo desde 1985, tanto em incidência quanto em mortalidade. Cerca de 13% de todos os casos novos de câncer são de pulmão. A última estimativa mundial (2012) apontou incidência de 1,8 milhão de casos novos, sendo 1,24 milhão em homens e 583 mil em mulheres. A taxa de incidência vem diminuindo desde meados da década de 1980 entre homens e desde meados dos anos 2000 entre as mulheres. Essa diferença deve-se aos padrões de adesão e cessação do tabagismo constatados nos diferentes sexos. No Brasil, a doença foi responsável por 26.498 mortes em 2015. No fim do século XX, o câncer de pulmão se tornou uma das principais causas de morte evitáveis.

Lucianne reforça que o tabagismo e a exposição passiva ao tabaco são importantes fatores de risco para o desenvolvimento de câncer de pulmão. Em cerca de 85% dos casos diagnosticados, o câncer de pulmão está associado ao consumo de derivados de tabaco. “É uma doença de altíssima letalidade, exatamente pelo fato de o paciente não apresentar sintomas na fase inicial. Quando ele aparece com os sintomas a doença já se encontra localmente avançada ou até disseminada”, relata.

A médica afirma que não existe uma estatística especifica para Montes Claros, porém reforça que a doença é um importante problema de saúde pública e a população brasileira precisa melhorar o controle do tabagismo e de outros fatores de risco como exposição ocupacional a agentes químicos ou físicos (asbesto, sílica, urânio, cromo, agentes alquilantes, radônio entre outros), água potável contendo arsênico. Atualmente, na Santa Casa de Montes Claros a média de pacientes em tratamento é de 50 por mês.

Segundo o Inca os trabalhadores rurais, da construção civil, curtume, fundição de metais, indústrias (alumínio, borracha, cimento e gesso, gráfica e papel, têxtil, metalúrgica, metal pesado, nuclear, eletroeletrônicos, aeronaves, aparelhos médicos, vidro; fertilizantes), mineração, fábrica de baterias, produção de pigmentos, bombeiros hidráulicos, encanadores, eletricistas, mecânicos de automóvel, mineiros, pintores, soldadores, sopradores de vidro, trabalho com isolamento, em navios e docas, conservação do couro, limpeza e manutenção podem apresentar risco aumentado de desenvolvimento da doença.

Além disso, a médica complementa que o câncer de pulmão atualmente é também uma doença de base genética. “Precisamos entender melhor como a tecnologia, a medicina poderá interferir no controle desse padrão genético da doença através de drogas que possam ser direcionadas para o controle dessas alterações genéticas que favorecem a progressão da doença”, finaliza.

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