O hospital da Santa Casa de Montes Claros segue uma tendência de crescimento e modernização oferecendo um serviço de referência e excelência no tratamento do doente psiquiátrico. Seguindo um tratamento moderno e realizado em casos extremos e não responsivos ao tratamento clínico medicamentoso, foi realizada na Santa Casa a primeira psicocirurgia do interior de Minas Gerais. O procedimento teve como objetivo o controle da agressividade. A cirurgia foi realizado pelo médico neurocirurgião Gustavo Veloso Lages. Para ele, o procedimento marca um avanço na neurocirurgia do norte de Minas.

“No Brasil, os direitos e a proteção das pessoas acometidas por transtorno mental são previstos pela Lei n° 10.2162, ao passo que as neuropsicocirurgias são regulamentadas pelo Conselho Federal de Medicina por meio da Resolução n° 2.0573. Suas indicações são precisas e incluem diagnóstico psiquiátrico, com duração mínima de cinco anos e refratariedade a tratamentos psiquiátricos, exauridas todas as possibilidades terapêuticas. Requer consentimento esclarecido do paciente ou de seu responsável legal, a aprovativo e a autorizativo por câmara técnica de psiquiatria do Conselho Regional de Medicina (CRM), além de ser necessária a indicação por médico assistente, psiquiatra e neurocirurgião pertencentes a outros serviços”, diz.

Gustavo ressalta ainda que “é imprescindível, ainda, o registro em prontuário do laudo original contendo diagnóstico, duração, tratamentos realizados e o melhor método cirúrgico indicado para o caso. Os doentes que sofrem de alguma enfermidade psiquiátrica rebelde ao tratamento clínico, usualmente, são excluídos do convívio social; dependendo do caso, obrigando até os seus familiares a essa reclusão. Limitações para atividades simples do dia a dia, como banho, alimentação, cuidados básicos de higiene pessoal, restrição de visitas e convívio, auto agressão e agressão a terceiros são pequenos exemplos do que essas famílias vivem diariamente e por décadas”. complementa.

O médico explica que a neuropsicocirurgia é exceção, mas não pode ser excluída do arsenal terapêutico. “A razão para isso é muito simples: mesmo com o advento das mais modernas drogas utilizadas para o tratamento das desordens psiquiátricas, o índice de refratariedade clínica é ainda significativo, ou seja, cerca de 10 a 15%”. De acordo com o neurocirurgião, várias são as desordens psiquiátricas passíveis de tratamento neurocirúrgico. Entre elas estão o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), depressão monopolar, ansiedade, fobias, agressividade (sobretudo aquela associada à oligofrenia herética, mas também, em menor grau, aquela parte do quadro esquizofrênico) e Síndrome de Tourette.

Ele finaliza ressaltando que apenas nos EUA, há cerca de 45000 indivíduos mentalmente doentes e refratários ao tratamento conservador. “O preconceito e a falta de informação impedem que estas famílias conheçam esta possibilidade de terapia . Aceitar comportamentos excessivos, aceitar que os doentes se mutilem ou agridam um ente querido ou terceiros como uma atitude esperada para sua doença, não é mais aceitável. Sendo assim, para aqueles casos rebeldes ao tratamento psiquiátrico há uma esperança de se obter um convívio familiar mais tranquilo e harmonioso”, diz.

ANA PAULA PAIXÃO

Jornalista/Assessora de Imprensa