A indicação de hábitos de vida e sintomas comunicados pelo paciente ajudam o profissional de saúde na construção do diagnóstico, tratamento e prevenção. No caso das pessoas surdas, o serviço pode ser prejudicado se a comunicação não for bem estabelecida. Na Santa Casa de Montes Claros o enfermeiro Marcos Gabriel de Jesus Rodrigues, que atua na Medicina Nuclear, utiliza a Língua Brasileira de Sinais (Libras) para prestar um serviço cada vez mais humanizado. Em virtude disso, o colaborador foi convidado para ministrar palestra nas Faculdades Santo Agostinho com o tema “A importância da Libras no ambiente hospitalar”, em comemoração aos 17 anos do reconhecimento da Libras e a importância da acessibilidade linguística para surdos na área da saúde; promovida pela  FASA.

Especialista em Urgência e Emergência, Marcos Gabriel Rodrigues relembra um caso vivenciado que o marcou. “Quando eu era acadêmico, trabalhava na hemodinâmica e recebemos um paciente, que estava acompanhado de um intérprete. Ao ir atendê-lo eu me comuniquei pela maneira oral explicando quem eu era e ele sinalizou que não ouvia. Então eu sinalizei que não havia problema, pois eu sabia Libras. Percebi a surpresa do paciente e da intérprete. Os dois falaram que foi um susto bastante positivo. Foi um momento que me marcou. O paciente foi compreendido e ficou mais tranquilo, ele recebeu todas as informações na linguagem dele e isso fez toda a diferença”, conta o enfermeiro, que atualmente está se especializando em  Medicina Nuclear e Enfermagem em Cardiologia e Hemodinâmica.

 

Para Marcos, a falha na comunicação entre paciente e profissional põe em risco a assistência prestada, além de gerar desconforto para ambas as partes. “Muitas pessoas acham que humanização está ligada apenas ao cuidado eficaz, mas também é transmitir a informação com a clareza que o outro precisa. É importante fazer com que o paciente entenda independente do grau de instrução dele”, destaca.

 

Formado em Libras desde 2011, o enfermeiro ressalta ainda que o curso acrescentou muito em sua profissão. “Costumamos dizer que a enfermagem é a arte de cuidar. Se quisermos ter um cuidado de qualidade e pleno precisamos nos comunicar e entender o paciente. O surdo quando chega ao hospital tem uma queixa como qualquer outra pessoa e é importante que receba um atendimento que o faça sentir-se acolhido”, afirma.