Para a gestão da Unimontes , “preocupação com o HUCF não pode ser apenas da Universidade”

 

As dificuldades enfrentadas pelo Hospital Universitário Clemente de Faria e a busca por soluções para a manutenção e a melhoria da assistência à população foram discutidas em audiência pública realizada nesta sexta-feira (24/5), na Câmara Municipal de Montes Claros. Como única unidade de saúde do município com 100% do atendimento via SUS, o HUCF apresenta um crescimento de 18% do número de atendimentos entre 2016 e 2018, mas, por outro lado, encontra problemas na questão pessoal, com déficit de 450 servidores técnico-administrativos para atender a atual demanda.

 

E a tendência para este ano segue a mesma lógica. No primeiro trimestre de 2019, o Hospital da Unimontes teve 126.723 atendimentos, 12,27% a mais dos serviços prestados no mesmo período do ano passado (112.876). Para se ter a dimensão da influência do Hospital Universitário na estrutura da Unimontes, 62% dos recursos que chegam à Unimontes são destinados ao HUCF.

 

“A preocupação com o HUCF não pode ser apenas da Unimontes, mas de todos, que buscam e defendem uma melhor saúde para a população. Não podemos ser responsabilizados pelo caos na saúde pública. É preciso que reconheçamos o nosso papel”, enfatizou o reitor, professor Antonio Alvimar Souza.

 

A audiência pública foi proposta pela Secretaria Municipal de Saúde em comum acordo com a superintendência do HUCF e a Reitoria. O encontro contou com a participação de deputados, vereadores, promotores de Justiça, defensores públicos e representações sindicais. A secretária municipal de Saúde, Dulce Pimenta Gonçalves, e a vice-reitora Ilva Ruas Abreu, também debateram sobre a situação do Hospital ao lado de representantes da comunidade.

 

O reitor Antonio Alvimar de Souza ressaltou que, nesta mesma data, a Unimontes comemora seus 57 anos de fundação. “O momento não poderia ser mais propício para se debater a real situação do HUCF e compreendermos, com os pés no chão, sem paixões, como é a real situação e, sobretudo, a sua vocação maior que é ser um hospital- escola”.

 

ENTRAVES

 

A superintendente do HUCF, Príscilla Izabella de Menezes, detalhou as dificuldades enfrentadas pela instituição, a começar pela superlotação do Pronto-Socorro e a falta de mão de obra, “com um déficit de 450 servidores para atender a demanda reprimida”. Ela fez a apresentação do histórico de dados dos últimos anos, que revelam o aumento em 18% do número de atendimentos na unidade: 457.765 procedimentos em 2016; 533.334 em 2017 e fechou 2018 com 540.119 atendimentos.

 

O promotor de Justiça da Coordenadoria Regional de Defesa da Saúde do Norte de Minas, Jorge Victor Cunha Barreto da Silva, relatou que, em visita ao HUCF constatou as dificuldades enfrentadas pela gestão hospitalar para manter o pronto-socorro e oferecer um bom atendimento a população.

 

“O HU tem uma equipe bem engajada, coesa, mas que enfrenta problemas na qualidade do seu atendimento devido ao déficit de servidores. Isso compromete todo o hospital e a importância social que se espera de uma universidade”, declarou o representante do MPMG.

 

Ele ressaltou ainda que o “o HUCF é uma hospital-escola, mas também, um hospital referência em tantas áreas da saúde e que pede socorro para continuar ajudando a quem precisa. O que constatamos é um excesso de demanda que cresceu nos últimos anos enquanto ocorreram subfinanciamentos dos repasses obrigatórios do Estado e da União. É preciso rever o teto e redivisão de custeios. Aliado a isso, a qualidade da gestão que precisa repensar formas de como reverter os problemas”.

 

DEMANDAS SERÃO LEVADAS

AO MINISTÉRIO DA SAÚDE

 

O deputado federal Marcelo Freitas disse que encaminhará as demandas do HUCF para o Ministério da Saúde. Presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa, o deputado Carlos Pimenta também anunciou que intermediará junto ao Governo Estado pela liberação de mais recursos para o Hospital da Unimontes. A audiência contou ainda com as presenças dos deputados estaduais Leninha Souza, Arlen Santiago e Gil Pereira, que também destacaram a necessidade de mais verbas para a saúde.

 

Ao final da audiência pública foram direcionados os encaminhamentos para a composição da rede de urgência e emergência, bem como a composição de um documento para os governos municipal, estadual e federal, órgãos públicos como a Promotoria de Justiça do Estado com as propostas apresentadas e as imediatas ações que devem ser tomadas para resolver o déficit no quadro de servidores e a subutilização de serviços do HUCF.